domingo, 14 de fevereiro de 2010

Planejamento Escola, nosso tempo, nossos debates.

Camaradas, o texto abaixo é do Prof. Marcos Pires, militante sindical e Professor Universitário.
A postagem do texto é parte do conjunto de inicativas que a Direção Executiva fará como forma de fomentarmos o debate em torno das questões centrais dos rumos de uma educação popular, crítica, libertora e democrática que queremos construir. Vale a leitura e o comentário.

O TÃO SONHADO PLANEJAMENTO NA CARGA HORÁRIA

O planejamento é importante em qualquer tipo de atividade humana, porque para compreender a vida em sociedade o homem precisa basicamente de reflexão e planejamento para organizar e disciplinar a sua ação, tendo em vista realizações mais complexas.

Ferreira, (1997) afirma que “o planejamento é o contrário da improvisação”, pois somente improvisamos quando não temos um objetivo proposto, quando não pretendemos chegar a nada, quando queremos passar o tempo deixando as ações ao sabor do vento. A ação que não é pensada estrategicamente é uma ação improvisada, ou seja, não é planejada.

No âmbito educacional, planejar torna-se uma atividade inerente à função do professor porque o planejamento funciona como uma bússola que indica o caminho e a direção a seguir. É por meio do planejamento que o educador ganha segurança e experiência para prever resultados, preparandose para os possíveis caminhos que poderá ocorrer a partir da sua atividade em sala, portanto pode-se afirmar que o Planejamento de Rede além de trazer inúmeros benefícios à comunidade escolar, já está garantido em lei.

É importante salientar que embora estivesse garantido em lei, nunca na história deste município se cumpriu a lesgislação no tocante ao planejamento dentro da carga horária semanal. O 1º Plano de Carreira e Salários do Magistério Público Municipal elaborado em 1998 já garantia esse direito, porém nunca foi cumprido, foram inúmeros finais de semanas sufocados com a arte do fazer pedagógico.

Somente agora, com a atuação do Sindicato dos Servidores Públicos de Bela Cruz e seus Associados (as) que há anos já cobravam o cumprimento da lei, o que foi negado por tanto tempo, torna-se realidade. Ficou acordado entre Sindicato e Governo Municipal em 14/12/2009 (mesa de negociação) a inclusão do texto que trata da jornada de trabalho frisando o planejamento escolar dentro da carga horária semanal do Plano de Carreira e Remuneração que foi reestrutura-do, aprovado e em vigor. (PCR - Seção IV, Art. 52 a 60)

Cabe agora a Secretaria Municipal de Educação e Escolas Municipais, mediante as Diretrizes Educacionais estabelecer um cronograma a fim de que o planejamento aconteça e seja rigorosamente cumprido. Uma vez posto em prática, o planejamento proporcionará um melhor aproveitamento do tempo pedagógico do aluno e possibilitará uma formação continuada para os professores sem retirá-los da escola nos dias em que eles estiverem em sala de aula. O referido cronograma estabelecido pelas diretrizes, norteia

que, será garantido aos professores às 16 ou 32 horas de docência distribuídas em quatro dias, ficando com um dia da semana de 04 ou 08 horas reservadas para as atividades pedagógicas com os professores sem prejudicar o cumprimento de carga-horária dos alunos.

Na perspectiva de organizar melhor esse tempo, com o fim de redirecionamento destas diretrizes, torna-se responsabilidade das escolas quanto à realização do planejamento escolar, pautada em um conjunto de princípios que deem a devida importância ao planejamento coletivo. Alguns Princípios:

Trabalhar o planejamento de maneira a suprir as reais necessidades da escolas do município de Bela Cruz;

Valorizar a articulação entre formação continuada em serviço e a proposta pedagógica das escolas;

Estimular a reflexão, desenvolver a autonomia e facilitar a dinâmica de autoformação do professor;

Considerar os saberes dos professores e valores da comunidade;

Compreender a experiência e inovação da prática pedagógica como aspecto relevante à formação continuada do professor;

Respeitar o tempo necessário para a promoção de mudanças;

Trabalhar as especificidades das disciplinas numa perspectiva interdisciplinar;

Orientar os professores na elaboração de itens de avaliação externa que contemplem as propostas de contextualização e interdisciplinaridade.

Deste modo, o planejamento na escola passa a ser compreendido de forma estreitamente vinculada às relações que se produzem entre a escola e o contexto histórico-cultural em que a educação se realiza. Nesta perspectiva, o planejamento do processo ensino-aprendizagem, Araújo (2007) diz “quando realizado coletivamente pelos professores transforma-se numa oportunidade de (re) elaboração da proposta curricular”.

“Um sonho que se sonha só é apenas um sonho, mas um sonho que se sonha juntos é realidade” Raul Seixas.

Prof. Marcos Pires – Especialista em Gestão Educacional

Referências:

ARAÚJO, Profª. Drª. Doracina Aparecida de Castro – UEMS.

FERREIRA, F. W. Planejamento: sim e não. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1981.

Um comentário:

  1. Meus parabéns pelo blog e não deixe de ler matéria sobre: POR QUE NINGUÉM MAIS QUER SER PROFESSOR? Basta acessar meu blog, clicando em:
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